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20.1.11

almas mofadas

 Moska - Muito Pouco by Biscoito Fino

é que disse sentir nessa época de chuva um cheiro de mofo pelos cantos, 
pelos jeitos, 
pelos lugares que os dedos tateiam aos poucos.
o cheiro fica.


qual seria a cor do mofo?


tudo até pode perder a forma, 
o alho pelo pilão pisado, 
mas deixa o cheiro.

de vez enquando (quase sempre) o coração aperta.
aí eu respiro, 
rezo, 
continuo.


qual seria a minha cor em Deus?


quando a alma estiver mofada nada disso é possível, 
nada.
não se respira, 
porque sufoca.
não se reza nem se deixa continuar.
o mofo na alma é uma espécie de argamassa que se forma em volta e concentra:
sentido: 
paralisa.


qual é a cor da alma?


o que eu juro?
juro que esse texto não é um desabafo.
juro que nada disso é pra você.


qual é sua cor preferida?


pra você eu digo que o dia está lindo.
e isso é de verdade.
pra você eu falo a verdade, pra você eu posso.
eu estou bem.
os dias passarão e me ensinarão a ser tranqüilo.


cores tranqüilas: quero.


pra você eu digo que amo sem medo.
não tenho mais medo.
nem grudarei em seu pé, não criarei espaços de mofo.
minha vida se agita,
eu cumpro, 
a cidade se cogita e eu no centro:
concentro.


qual a cor do seu amor por mim?


meu amor, eu amo você.


e Deus me parindo: rindo!



2 comentários:

Tiago Castelo disse...

Um dos mais lindos que já li. Não sei qual o melhor. Tem melhor? Tem pior? Consegue me capturar nas fases, dizer o que eu quero ouvir faz tempo, mas nem lembrei de querer. Você me inspira, sou teu fã, teu amigo. De mim, um pouco é teu, por isso sinto tanto.

Paulo José disse...

meu amigo, meu irmãozinho beeeeeeeeem mais novo, meu pedacim doido, meu escritor famoso pra mim, bem sabe que me instiga a escrita também!
outro dia pensei uma barbaridade: posso ser pai do Castelo!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
te amo.